Como citar: 

PERFEITO, Rodrigo Silva. Os jogos tradicionais infantis auxiliando no desenvolvimento global da criança. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 16, Nº 160, Septiembre de 2011.




Os jogos tradicionais infantis auxiliando no desenvolvimento global da criança

Resumo

O presente estudo visa, através de revisão de literatura, discutir sobre a presença das influências culturais nos jogos tradicionais infantis brasileiros e como estes interferem no aperfeiçoamento motor e cultural da criança. Além disso, são realizadas reflexões sobre seus possíveis benefícios no processo de Ensino. Nesse contexto, tais jogos são considerados por diversos pesquisadores, como atuante no desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social de um indivíduo, principalmente em crianças.

Palavras Chave: Brincadeira, Educação Infantil, Desenvolvimento Motor.


Resumen

Este estudio tiene como objetivo, a través de revisión de la literatura, hablar de la presencia de influencias culturales en los juegos infantiles tradicionales de Brasil y cómo interfieren en el desarrollo motor y cultural del niño. Además, se reflexiona sobre sus posibles beneficios en el proceso de la educación. En este contexto, este tipo de juegos son considerados por muchos investigadores como activo en el desarrollo motor, cognitivo, afectivo y social de un individuo, especialmente en los niños.

Palabras clave: Juego, Educación Infantil, el desarrollo motor.


Abstract

This study aims, through literature review, discuss the presence of cultural influences in Brazilian children's traditional games and how they interfere with motor development and the child's cultural. In addition, reflections are made about their possible benefits in the process of education. In this context, such games are considered by many researchers as active in motor development, cognitive, affective and social development of an individual, especially in children.

Keywords: Play, Early Childhood Education, Motor Development.


      Introdução

      Diversos autores, entre eles: Kishimoto (1993), Freyre (1963), Chateau (1987), Leontiev (1992), Rosamilha (1979), Perfeito (2011) retratam com seriedade a importância do jogo no desenvolvimento global do indivíduo na infância. 
       Além de elemento fundamental na formação do cidadão, os jogos tradicionais possuem componentes que permitem resgatar informações culturais sobre a diversidade presente no Brasil. Essas brincadeiras deslocam-se por gerações e diferentes localidades, permitindo assim, que seu conteúdo agrupado se some e sirva como perpetuador de novas culturas para seus participantes.
        Muitos dos jogos tradicionais não foram escritos, no entanto, eram transmitidos dos mais idosos para as crianças através da oralidade. Tais atividades eram realizadas em espaços amplos, com diversos praticantes, que não utilizavam qualquer tipo de tecnologia para fabricar os brinquedos ou no ato de brincar.
         Apesar de toda sua importância na formação e preparação do sujeito para a sociedade retratada por muitos estudiosos, os jogos tradicionais infantis estão perdendo força devido a diversos fatores, entre eles: falta de espaço adequado, violência, banalização da rua como um local de “vagabundos”, utilização da tecnologia como meio de diversão.
        Dessa forma, um dos intuitos desse trabalho é evidenciar a mistura de diferentes culturas na aplicação e criação das brincadeiras e sua acuidade como atribuidor de cultura e possibilitador quanto ao desenvolvimento motor, afetivo e social perante um dos Seres mais importantes da sociedade: a criança.


      As principais influências contidas na formação dos jogos tradicionais infantis brasileiros

      Os jogos tradicionais infantis, assim como qualquer construção social, são moldados de acordo com vivências na sociedade. Uma brincadeira só é percebida como tradicional quando é criada e sustentada durante um determinado período, se tornando parte do folclore e da história do povo ou da região. Quando pensamos nos jogos presentes no Brasil, é importante salientar que o mesmo é constituído de diferentes culturas locais que também sofreram influências de outros países.
      Refletindo sobre esta característica, o professor Cyro dos Santos citado por Kishimoto (1993) relata ser de grande dificuldade precisar a definição do limiar quantitativo de tradições advindas de costumes portugueses na cultura brasileira. Como isolar o radical luso no complexo de valores de ordem material e espiritual que constituem patrimônio comum do ocidente? Que determinado comportamento social corresponde aquilo a que chamamos cultura luso-brasileira? São algumas de suas indagações.
      É válido ressaltar que, mesmo entendendo o alcance de culturas advindas de Portugal, dificilmente podemos traçar um caminho de informações totalmente puras. Em outras palavras, é difícil precisar a quantidade de cultura portuguesa presente em nosso folclore, pois até mesmo os costumes de Portugal foram moldados por vivências de origem européia, africana e peninsular.
      O Brasil, devido a seu clima favorável, mistura de raças e estratificação social – nos lugares mais pobres, as crianças criam e recriam brincadeiras tradicionais sem que haja gastos, sendo necessário apenas espaço e tempo hábil – sofre influência de diferenças entre seus povos que somam suas informações e as transformam de acordo com as necessidades de cada região. Sendo assim, uma brincadeira criada e realizada por índios em suas tribos – contidas em locais ambientais espaçosos – é moldada por uma criança pobre que mora em local com pouco espaço reservado para sua diversão. Dessa maneira, é possível ponderar a afirmativa em que os jogos tradicionais infantis são moldados por possibilidades, climas e culturas locais e de outros países que vão se fundindo até que se torne possível a aplicação da atividade.
       Segundo Kishimoto (1993) além dos moldes culturais cedidos pelos portugueses, alguns jogos foram apresentados pelos negros africanos em época de escravidão, no entanto é difícil precisá-los devido à falta de registros em época anterior a do século XIX. Sabe-se que um traço marcante da infância negra é a musicalidade através de instrumentos, canto e dança. 
     Então, provavelmente, as atividades musicadas e coreografadas pelas crianças são de repertório africano, que foram transmitidas para Portugal e finalmente ao Brasil. Além disso, existia a tradição das mães negras repassarem às crianças estórias de sua terra, os contos, as lendas, os mitos, os deuses e animais encantados. Pela multiplicação da cultura transportada de geração em geração, as contribuições africanas para a cultura brasileira se mostram, além das músicas dançadas e mitos, nas lendas, nos deuses e animais encantados. Devido à opressão perante o negro em tal época, não há registros de sua contribuição no jogo infantil, mas certamente existe muito de sua cultura fundida na vivência de atividades tradicionais no Brasil.
      Nas regiões sudeste e nordeste, que receberam um grande contingente de escravos na época do cultivo da cana de açúcar, até hoje existem brincadeiras cujos nomes fazem uma clara alusão aos negros escravos. As denominações das brincadeiras mais famosas são: chicotinho, chicotinho queimado, quente e frio e peia quente. 
      Para Freyre (1963) os índios também deixaram inúmeras referências no folclore brasileiro. O próprio jogo do bicho, tão popular no Brasil, possui origens na tradição indígena de imitar animais e nas danças, nas quais dançarinos da tribo imitavam animais. 
      De acordo com Kishimoto (1993) os jogos indígenas caracterizavam-se pela pureza e pela coletividade. Eram formas de jogar, nas quais não haviam brigas e nem desavenças, apenas alegria. O predomínio de brincadeiras junto à natureza é outra característica da cultura indígena.
      Cascudo (2001) ao comentar a presença do elemento indígena nas brincadeiras da criança brasileira, afirma que através de registros dos séculos XVI e XVII, é possível perceber que os meninos da tribo, logo cedo, brincavam com arcos, flechas e lanças, ou seja, o arsenal guerreiro dos pais. O divertimento consistia em imitar os adultos, caçando pequenos animais, abatendo aves menores, tentando pescar. Tais brincadeiras não eram mero passatempo, mas sim uma forma de preparação para a vida adulta. As crianças do grupo brincam de um modo peculiar, o jogo não possui o mesmo sentido que para outras culturas. Não há a figura do vencedor e nem desavenças entre eles, predominando as atividades cooperativas junto à natureza. As crianças indígenas têm na brincadeira uma forma de aprender várias atividades do cotidiano de sua tribo. Não haviam castigos e nem repressão. Seu crescimento, desenvolvimento e maturação transcorriam sem violência e com base na solidariedade. 
      Quando ganhavam algo, logo repartiam com as demais de seu meio. Podemos então, considerar que os jogos tradicionais realizados com armas para caça e utilização de panelas de brinquedo para simular o cozinhar tem grande influência indígena.
    Além das características originárias dos negros, indígenas e de outros países, existe também a interferência regida pelo diferencial econômico. Crianças de origem rica utilizam com maior frequência a tecnologia para seu divertimento, enquanto as mais pobres tendem a empregar estratégias que sejam mais baratas ou sem qualquer custo financeiro. Assim, os jogos populares estão presentes em maior intensidade na infância pobre, onde as brincadeiras acontecem na rua ou no quintal da casa, sem que ocorra presença relevante das tendências tecnológicas, como o computador e o vídeo game.
      Reforçando esse pensamento, Kishimoto (1999) diz que a partir do início do século XX as brincadeiras tradicionais de rua perderam sua força na cultura de crianças ricas, já que a rua passou a ser considerada um espaço perigoso e degenerador, sendo reduto das crianças miseráveis e marginalizadas. Os meninos e meninas de família mais favorecidas economicamente eram proibidos de brincar fora de casa ou condomínio e seus jogos e brincadeiras restringiam-se aos espaços domésticos pré instalados e limitadores da criação. A
ideia do jogo associado ao prazer não era vista como importante para a formação do indivíduo, mas sim tida como causadora de corrupção e desvio de conduta. Os jogos tradicionais infantis passaram então a ser repudiados e desvalorizados pelas classes dominantes. Dessa forma, apenas os meninos de rua, no início da construção de grandes cidades, usufruíam do direito de partilhar e divulgar os jogos tradicionais infantis que se desenrolavam em grandes espaços públicos como a rua, acarretando, com o passar do tempo, o esquecimento de alguns jogos e de sua cultura constituinte.


      O papel dos jogos tradicionais no desenvolvimento infantil

     Para estampar a importância das brincadeiras advindas do folclore brasileiro quanto ao desenvolvimento integral da criança, serão utilizados conhecimentos de vários autores de alta relevância da literatura internacional e nacional. Para tanto, iremos iniciar com uma frase de Huizinga (1982) retratando a seriedade do assunto tratado: “é no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve”. O autor alcançou essa afirmação apoiando-se em estudos que demonstram que o jogo é uma atividade que está presente nas mais diversas culturas e civilizações se comportando como agente fundamental no aguçamento de valências como a sensorial e motora. Devido às afirmativas desse porte, a importância do ato de brincar na história da construção global do indivíduo tem sido objeto de estudo de diversas áreas ligadas ao desenvolvimento do Ser humano.
      Leontiev (1992) relata que a brincadeira é uma das principais atividades na infância. Através da mesma é possível alcançar momentos que irão estimular as mais significativas mudanças no aguçamento psíquico e motor do sujeito, preparando-o para um novo e mais elevado nível de percepção. Em outras palavras Chateau (1987) diz que a infância tem por objetivo o treinamento pelo jogo, tanto de suas funções psicológicas quanto psíquicas. Jogando as crianças desenvolvem suas potencialidades e capacidades, que por sua vez, derivam de suas próprias vontades e desejos. Através de uma atividade jogada, o indivíduo coordena, cria, raciocina, imagina e recria, acrescentando informações de forma satisfatória à suas potencialidades.
      O brinquedo é utilizado como um meio para concretizar vontades durante o divertimento. Para um único objeto pode-se atribuir diferentes funções. Uma mesa pode ser instrumento principal numa brincadeira de comidinha e minutos depois virar uma casa ou uma caverna, ou ainda, uma nave. Porém, é importante salientar que nem todo objeto pode ser percebido ou imaginado como outro. A criança está muito ligada ao campo visual e a propriedade das coisas, modificando seus nomes e significados somente quando cabível.
       Segundo Vygotski (1989), um palito de fósforo, devido ao seu tamanho, não pode ser um cavalo ao contrário de um cabo de vassoura. Para que continuemos nossa discussão sobre o desenvolvimento global através dos jogos na infância, é importante que explanemos opiniões distintas de alguns autores perante o
assunto. Rosamilha (1979), através das características do jogo o classifica como uma atividade não séria, como um divertimento. Algo lúdico que não deve ser encarado pela criança como uma necessidade, mas como um momento de total alegria. Já Chateau (1987) diz que para a criança o brincar possui um caráter sério, onde a mesma se entrega por inteiro na atividade e de certa maneira, percebe a importância do ato para seu crescimento pleno. 
       Perfeito (2011) expõe que o jogo pode apresentar-se com regras que imitam, muitas vezes, as leis na vida adulta, preparando o participante para a convivência na sociedade pós escola. No entanto, não podemos afirmar que toda manifestação de normas através de jogos ou brincadeiras tenham o objetivo de preparar para a vida adulta. A própria criança procura atividades com outras finalidades, como veremos abaixo através de estudos de Chateau (1987).
     Os jogos tradicionais de luta e valentia levam a crer que o participante procura na atividade uma oportunidade de afirmação do seu eu e uma forma de autoconhecimento. O prazer próprio do jogo não é meramente sensorial, mas sim definidamente moral. A brincadeira representa para a criança o que o trabalho representa para o adulto. Tal como o adulto se realiza por possuir um trabalho, este primeiro se satisfaz através das atividades lúdicas. Relata ainda que uma criança que deixa de jogar/brincar não possui condições de afirmar sua personalidade, se tornando um Ser social que se contenta em ser pequena e fraca,
um sujeito sem determinação e sem futuro.
      Piaget (1960) diz que o lúdico é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança. As brincadeiras não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para dispêndio de energia, mas sim, meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual. Afirma que:

O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação do real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil (PIAGET, 1976, p.160).

     As brincadeiras tradicionais ocasionam sensações prazerosas às crianças. Porém, não é relevante que limitemos o fenômeno a somente essa característica. Com o brinquedo, o ator supre suas necessidades e efetua atividades que muitas vezes queria realizar na vida que sobrevém ao brinquedo. Colocar a boneca de castigo, representando a irmã malvada é um exemplo. De acordo com Vygotsky (1989), são as necessidades e as motivações que levam uma criança a iniciar uma brincadeira. O professor, ao elaborar uma atividade deve entender que os avanços no estágio de desenvolvimento, estão intimamente ligados com a mudança acentuada nas motivações, tendências e incentivos. Um determinado brinquedo que é tido de grande importância para um bebê pode parecer totalmente desinteressante para uma criança maior. As necessidades se modificam conforme o crescimento e descoberta de novos estímulos que desvendam um mundo mais complexo e cheio de novidades.
      Vygotsky (idem) cita ainda que para um bebê, os desejos são imediatos e atendidos rapidamente. Já para os maiores, as vontades se apresentam de forma mais elaborada e não possível de serem realizadas prontamente. Para suprir as necessidades, cria-se na infância, um mundo de imaginação sociológica e brincadeiras, onde a criança possui teto e elementos adequados para satisfazer suas pretensões e desejos.
      Existem ainda teorias e classificações que detalham os tipos de jogos tradicionais e de seus atributos quanto ao desenvolvimento geral na infância. Wallon (1981) classifica-os em:

- Jogos funcionais: conduzem ao exercício gratuito de funções psicológicas emergentes, sejam mais tipicamente físicas, sejam sensoriais, sejam como derivativos da tonicidade muscular;
- Jogos de ficção ou imitação: brincar de papai e mamãe, de boneca, de casinha, de vaqueiro, de trem, de avião;
- Jogos de aquisição: a criança olha, escuta, pergunta. È o caso das gravuras, televisão, discos, paisagens;
- Jogos de fabricação: combinar, cortar, modelar, construir coisas e objetos etc.;

      Chateau (1987) afirma que existe uma sequência para o aparecimento dos jogos infantis. Essa ordem inclui:

- Jogos funcionais de primeira infância;
- Jogos simbólicos que aparecem pouco antes dos três anos;
- Jogos de proezas que cobrem principalmente os primeiros anos de escola;
- Jogos sociais que se organizam mais no fim da infância;

      Marzollo e Loyd (1972) relacionaram diversas habilidades que podem ser estruturadas através dos jogos infantis:

- Os cinco sentidos: tato, audição, olfato, visão e fala;
- Desenvolvimento da linguagem;
- Preleitura;
- Compreensão de relações;
- Seleção e classificação;
- Contagem e mensuração;
- Solução de problemas;
- Exploração;
- Criatividade;
- Autoestima;
- Crescimento físico;

      Dessa maneira, fica evidente a importância dos jogos tradicionais no desenvolvimento infantil e como ferramenta pedagógica para o educador, seja qual for sua área de formação. 
      Cabe a cada um de nós, refletir sobre as presentes informações e não permitir que tais brincadeiras permaneçam em crescente desuso.


      Metodologia e objetivo

      Trata-se de uma revisão de literatura acerca do tema abordado, apoiando-se em autores renomados para desenvolver e discutir a importância do jogo no desenvolvimento infantil. 
       Após coleta dos dados literários e concretização do estudo da arte, foram comparadas e conflitadas as informações auxiliando assim, no amadurecimento do raciocínio lógico do texto.
      Convencidos da relevância do tema, o objetivo de tal artigo é o de explanar a importância dos jogos tradicionais infantis e sua acuidade perante a manutenção da cultura e desenvolvimento global do indivíduo, tanto em âmbito escolar como fora do mesmo.


      Considerações finais

      Após discussão sobre as influências contidas nos jogos tradicionais infantis brasileiros, torna-se impossível discutir cultura sem que se paute tais brincadeiras. Por muito tempo, apenas crianças de poder aquisitivo baixo participavam e criavam as atividades. Ao passar dos anos, os filhos de donos dos engenhos participavam junto aos filhos de empregados e escravos. As brincadeiras alcançaram proporções relevantes até atingir todo tipo de público e se tornar alvo de pesquisas importantes a fim de constatar seu papel no desenvolvimento global infantil. Devido às diversas transformações da sociedade, os jogos cada dia mais perdem espaço para as grandes construções, falta de tempo, violência, entre outros.
       Perante esse momento histórico de abandono do jogo tradicional, grandes autores salientam sua importância, culminando assim, a tentativa de seu resgate por diversos professores, como os pedagogos e os professores de Educação Física. Dentre as constatações de estudiosos, Kishimoto (1999) diz que a formação lúdica, através dos jogos, possibilita ao educador conhecer seu aluno e a si mesmo como pessoa, refletir sobre as possibilidades da atividade, desbloquear resistências e ter uma visão mais clara e prática sobre a importância do jogo na vida do Ser humano.
        O meio e o mundo das pessoas no qual a criança está inserida possuem papel fundamental em seu desenvolvimento. Os relacionamentos com os outros e consigo mesma estão estreitamente ligados ao ato motor, afetivo e cultural. Como os jogos tradicionais permitem se autoreconhecer, possibilita também, mesmo que subjetivamente, perceber o mundo do outro, o que ajuda a entender limitações e virtudes. Assim, devem ser reconhecidos como uma excelente ferramenta pedagógica, que pode ser utilizada tanto dentro como fora da escola.


      Referências

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FREYRE, G. Casa-Grande & Senzala. 13 ed. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1963.


KISHIMOTO, T. Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. São Paulo: Cortez, 1999.


KISHIMOTO, T. Jogos Tradicionais Infantis. Petrópolis: Vozes, 1993.


LE BOUCH, J. Desenvolvimento psicomotor: do nascimento até 6 anos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.


LEONTIEV, A. Os princípios psicológicos da brincadeira pré-escolar. In: VIGOTSKI, L. et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1992.


MARZOLLO, J. & LLOYD, J. Learning through play. New York: Harper & Row, 1972.


PIAGET. J. O Juízo Moral na Criança. São Paulo: Summus Editorial,1994.


PIAGET, J. Psicologia e Pedagogia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1976.


PERFEITO, R. O jogo como um relevante conteúdo de ensino na formação do sujeito e na prática escolar. Revista EFDesportes, Buenos Aires, Ano 15, n. 153, Fevereiro de 2011.


ROSAMILHA, N. Psicologia do Jogo e Aprendizado Infantil. São Paulo: Livraria Pioneira Editora. 1979.


WALLON, H. A Evolução Psicológica da Criança. Lisboa: edição 70, 1981.




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